2iM Inteligência Médica

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Há mais de 10 anos a 2iM vem medindo qualidade e performance em saúde através de uma metodologia que tem se mostrado consistente e estruturada. A fundamentação dessa metodologia foi publicada no livro “Pagamento por Performance: o desafio de avaliar desempenho em saúde” (ABICALAFFE, 2015) e tem sido amplamente utilizada por uma centena de hospitais, inúmeras operadoras de planos de saúde e conta com mais de 40 mil médicos avaliados ao longo desses anos.

De 2015 para cá muita coisa evoluiu, mas a lógica proposta pelo modelo se mantém, na qual se postula que a qualidade é multidimensional e assim deve ser avaliada, considerando sempre estrutura, processos e resultados.

Medindo desfechos correlacionados aos custos de produção

Obviamente que a necessidade de medir os desfechos ganhou ênfase na difusão do conceito de VBHC (Value-Based Healthcare), ou Saúde Baseada em Valor, da mesma forma em que aponta para a importância de considerar os custos na produção desses desfechos.

O modelo que a 2iM tem utilizado ao longo desses anos captura esses dados, sendo que os custos são medidos na dimensão de Eficiência, e os resultados são organizados nas dimensões de Efetividade e Experiência do Paciente.

O grande diferencial do modelo 2iM, porém, reside na aplicação do método estatístico chamado de análise de multicritério (MCA) para a organização de um agrupamento de indicadores. A partir daí, cada indicador é ponderado, tem seu valor observado comparado com um parâmetro ou benchmark, para finalmente gerar um escore específico por indicador, os quais somados com os demais indicadores do agrupamento permitem gerar um índice único, chamado no modelo de Índice de Qualidade (IQ).

Desse modo, para que nossas plataformas disponibilizassem efetivamente recursos para medir Valor em Saúde aplicando nossa metodologia, a reorganização do modelo foi muito simples e prática. Os indicadores de custo passaram a ter um scorecard específico que gera, a partir da mesma lógica utilizada, um Índice de Custeio (IC). O qual, quando correlacionado com o Índice de Qualidade (IQ), permite estabelecer um Escore de Valor em Saúde, o EVS.

É claro que o modelo tradicional foi revisitado, valorizando sobremaneira os indicadores de desfecho (Efetividade e Experiência do Paciente), mas procurou-se manter a lógica de continuar medindo a Estrutura e os Processos.

O Índice de Custeio e a perspectiva do financiador

O Índice de Qualidade (IQ) é sempre centrado no paciente, mas o Índice de Custeio (IC) deve levar em conta a perspectiva de quem está medindo Valor.

Por exemplo: o IC para quem paga, deve ser visto como custo dispendido para gerar a qualidade no atendimento. Já para quem recebe, este índice é calculado a partir do que efetivamente custa, ou a margem de contribuição que a instituição tem para produzir os resultados. Ou seja, para quem presta o serviço, Valor é a relação da qualidade entregue com o resultado financeiro (margem) gerada. Já quando analisamos condições clínicas e suas respectivas linhas de cuidado, dentro da perspectiva do pagador, o “custo” é efetivamente o que custou o serviço entregue.

Como o Escore de Valor em Saúde é calculado

Em termos práticos, a fórmula de cálculo do EVS.2iM© – Escore de Valor em Saúde permite ponderar o IQ e o IC, e como pesos-padrão sugeridos, a 2iM adota valores de 70% para qualidade e 30% parar custeio. O valor final do EVS foi fixado entre 0 e 5, seguindo as grandes lógicas de avaliação adotadas no mundo todo.

A fórmula final é a seguinte:

Fórmula do Escore de Valor em Saúde

Onde:

  • IQ = Índice de Qualidade (medida gerada pela composição de indicadores nas dimensões de Estrutura, Eficiência, Efetividade e Experiência do Paciente)
  • IC – Índice de Custeio (medida gerada pela composição de indicadores de custo
  • P = Peso, que como padrão, será de 0,70

Traduzindo o Valor em Saúde para a realidade brasileira

Em todos os trabalhos, considerando os projetos, as palestras e as visitas técnicas que temos feito ao longo dos últimos anos no Brasil e no exterior, percebemos a dificuldade prática de medir Valor. O assunto é corrente, mas não se consegue traduzir isso de forma prática para vincular, por exemplo, pagamento ou compartilhamento de risco, com base no Valor entregue.

É primoroso o trabalho da ICHOM com seus standard sets, mas é preocupante quando se percebe a dificuldade e o alto custo para implantar, em qualquer lugar no mundo, padrões únicos sem considerar as práticas e culturas locais. Ainda assim, quando implantados, apesar de bastante interessante em sua demonstração, a tradução prática para a associação de incentivos continua a ser muito complexa, pois o foco é dado apenas nos desfechos não considerando os custos para produzi-los. Ou seja, utilizar os standard sets da ICHOM apenas não gera uma medida efetiva de Valor.

O EVS.2iM© surge para viabilizar essa iniciativa, de modo a propiciar que qualquer hospital ou operadora de plano de saúde e ainda na relação da indústria com o pagador possa-se construir arranjos contratuais com base em valor, ou value-based agréments, sejam eles de risco compartilhado, de success fee ou ainda de pagamento por performance.

Nossa metodologia foi desenvolvida utilizando referencias internacionais como devem ser: marcos para análise. Aprendemos com o que está sendo feito, mas buscamos entregar ao mercado uma solução que tenha realmente viabilidade prática para nossa realidade.

O trabalho dos cientistas de dados, médicos, epidemiologias, programadores, analistas, designers e consultores associados da 2iM vêm priorizando a validação da metodologia dentro dos projetos existentes entre nossos clientes. Por exemplo, para médicos do corpo clínico dos hospitais que utilizam o 2iM.Analytics|Hospital© estamos implementando um modelo padrão de indicadores de qualidade e custo utilizando como benchmark valores de mercado de hospitais semelhantes, dentro e fora da base da 2iM.

Assim, o cardiologista terá seu EVS em função de um rol mínimo de indicadores, já ponderados e comparados com referenciais externos. Isso tanto para a análise do IQ como do IC. No final da análise será possível apontar o EVS de um médico, o qual terá comparabilidade com seus pares na instituição e fora dela.

O mesmo é feito, por exemplo, para médicos cooperados. Hoje já avaliamos alguns milhares de médicos cooperados em seus atendimentos ambulatoriais. Já em 2020 teremos padronizado um EVS por médico cooperado, dentro de uma determinada especialidade..

Um grande diferencial que já está sendo aplicado neste ano é o EVS por condição clínica dentro de suas respectivas Linhas de Cuidado. Diabetes, diversos tipos de câncer, doenças reumáticas, asma/DPOC, entre outras já possuem modelagens específicas apresentadas na plataforma 2iM.Analytics©. Esta aplicação prática do EVS vem permitindo a construção de Bundles por Linha de Cuidado e, com isso, estruturar arranjos contratuais diferenciados entre prestadores, indústria e pagadores, sejam eles públicos ou privados.

Assim, a 2iM disponibiliza ao mercado o EVS incorporado e adaptado as suas soluções para os diversos interesses de avaliação. Já temos padronizados o EVS do Corpo Clínico, dos Médicos Cooperados, dos Hospitais ANAHP, das Santas Casas, e de algumas condições clínicas de alto custo e prevalência.

Modelos de remuneração e difusão de conhecimento

A 2iM tem estruturado fórum de seus clientes e de consultores para validação da metodologia. Periodicamente novos modelos são lançados assim como revisões nos modelos anteriores. A aprendizagem gerada possibilita o ajuste dos indicadores, pesos e benchmarks regularmente e a publicação desse conhecimento, para que seja adotado como referência no mercado.

Com esse escore único será possível associar a modelos de pagamento baseados em valor, arranjos baseados em valor com a indústria, políticas de incentivos e relacionamento, ou ainda com outras formas de divulgação para dar mais transparência e chance de gestão profissional ao Sistema de Saúde Brasileiro. Os primeiros resultados serão publicados ainda neste ano.

Para saber mais sobre o EVS, clique aqui.

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