2iM Inteligência Médica

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A grande demanda para novos modelos de remuneração em saúde está motivada por dois principais fatores: aumento crescente nos custos assistenciais e uma variabilidade importante nos resultados dos tratamentos nos pacientes. A grande tendência observada no mundo todo está na transferência de parte do risco financeiro aos prestadores de saúde e no aumento da responsabilização pelo cuidado. Isso tem modificado consideravelmente a lógica da contratualização de serviços, tendendo a reduzir o tamanho da rede, concentrando o atendimento num local e/ou estrutura que consiga assumir estas responsabilidades. A lógica atual do modelo de remuneração onde o pagamento é feito por procedimento (fee-forservice) leva a uma rede ampla, no entanto, este modelo mostrou-se ineficiente e de alto custo para o sistema de saúde. A mudança para um modelo centrado no paciente, onde os desfechos e as experiências dos pacientes fazem parte da equação já está acontecendo e passam a ser fator preponderante nas contratualizações e novos modelos de remuneração, os quais vem buscando transferir aos prestadores parte do risco da assistência e a responsabilização pelo cuidado. No entanto, esta mudança pode ser temerária pelo fato de que os critérios de avaliação não estarem bem definidos, deixando para que o pagador a nominação destes critérios. Este processo unilateral pode levar a uma lógica perversa onde o foco seja somente a eficiência com redução de custo sem pensar e medir os desfechos. Dificilmente o esforço tradicional das sociedades médicas para a proteção do médico através de manter o volume e o fluxo de pacientes nos consultórios será suficiente, justamente por ser esta uma nova onda no mercado de assistência à saúde. No entanto, elas têm um papel fundamental ao se posicionarem como disseminadores do conhecimento destes novos modelos de remuneração aos seus associados, atuando fortemente junto ao órgão regulador e, principalmente, na definição das métricas ideais para avaliar a sua especialidade.

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