Pagamento por performance não tem melhorado os indicadores de saúde dos hospitais - 2iM Inteligência Médica

Pagamento por performance não tem melhorado os indicadores de saúde dos hospitais

Pagamento por performance não tem melhorado os indicadores de saúde dos hospitais

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Avaliando a recente publicação: Hospital pay for performance not significantly improving Medicare outcomes publicada agora em Janeiro, nos deparamos com alguns resultados que depõem contra modelos de Pagamento por Performance (P4P). Veja o que os autores afirmaram: “Os programas de Pagamento por Performance para hospitais não estão levando a melhorias significativas em scores de processos clínicos ou a taxas de mortalidade em 30 dias…”

Como já falei e escrevi inúmeras vezes, o problema não está com o P4P, mas sim com o modelo que foi construído.

Entende-se por modelo, o método de avaliação (indicadores construídos, benchmarks utilizados, ajustes de risco etc.) e o tipo e a quantidade de incentivo utilizado.

Avaliar qualidade, performance ou Valor é um grande desafio, principalmente quando não geramos dados adequados para a construção de indicadores robustos que realmente importem aos pacientes.

É onde o conceito de Valor deve ser incorporado: melhoria de indicadores de desfechos que realmente importam aos pacientes em relação ao custo para produzi-los (ICHOM, 2015).

Hoje não medimos os indicadores de desfechos reportados pelos pacientes, são os chamados PROMs sigla inglesa para Patient-Reported Outcome Measures. Mal conseguimos gerar índice de case mix de nossos hospitais para poder comparar o que é comparável. Temos que, invariavelmente, começar a medir estes indicadores, caso contrário não conseguiremos avaliar adequadamente e, o pior, gerenciar o sistema para gerar mais valor aos nossos pacientes.

As mudanças sugeridas pelos autores deste artigo incluem aumentar os incentivos e focar em indicados de processos que importam aos pacientes (mortalidade, experiência do paciente e status funcional). Atentem, que os autores propõe ajustes no modelo ou eliminá-lo, ou seja, é pior ficar do jeito que está, pois gera mais expectativas e custos para o sistema, além de comprometer um conceito que, pela primeira vez, colocou o paciente no centro.

O tema Valor em Saúde é tão relevante que Congressos mundiais estão sendo feitos somente com este tema. No recente evento da ICHOM em Washington, havia mais de 34 países reunidos e apresentando casos práticos sobre este tema.

Para fomentar a discussão de verdade no Brasil, criamos um Fórum Permanente sobre Saúde Baseada em Valor, onde reunimos vários gestores de todos os setores da saúde para discutir este tema. Diversas agendas para 2018 já estão sendo preparadas para debatermos, de forma prática, este tema. Acesse e faça parte deste grupo, se você realmente acredita que este conceito pode transformar a saúde em nosso país.

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